Funcionários devem ter atenção dobrada ao receber presentes – Bruno Fagali noticia

Durante o período que antecede as festividades de final de ano, é comum que os funcionários de empresas recebam presentes de parceiros comerciais. Contudo, tal situação pode ser entendida como indevida, a depender do valor ou natureza do agrado, reporta o advogado Bruno Fagali.

Seguir todas as normas de compliance de uma organização à risca, pode não ser tarefa das mais fáceis – tanto para gestores como para colaboradores de grau hierárquico menos elevado. Este tema é o principal objeto de pesquisa de Antônio Carlos Hencsey, diretor de Ética & Compliance da consultoria Protiviti, que atua especialmente nas áreas de governança, finanças, auditoria, risco, tecnologia e operações, noticia o sócio-fundador da FAGALI Advocacia.

De acordo com Hencsey, a principal finalidade da troca de presentes é consolidar as relações entre aliados comerciais, porém, quando o agrado se torna algo mais sofisticado como jantares em restaurantes caros ou entradas para espetáculos artísticos ou musicais, pode ser criado, no ambiente de trabalho, a sensação de interferências externas inadequadas.

Ainda conforme alerta o especialista, todo cuidado é pouco ao receber lembranças de fornecedores ou associados de outras empresas: “Presentes recebidos de parceiros comerciais apresentam grandes possibilidades de serem encarados como propinas pelos demais colaboradores da empresa; concomitantemente, podem ir de encontro às normas previstas no código de ética da companhia, além de denigrir a reputação da empresa no mercado”, reporta Bruno Fagali.

Entretanto, para Antônio Carlos Hencsey, lembrancinhas promocionais e de valor reduzido como pen drives, canetas, calendários, blocos de anotação, bonés ou qualquer outro item customizado com a marca de uma empresa, não podem ser caracterizados como gratificação inadequada. Nesta categoria, ressalta o expert em compliance, estão enquadrados regalos com valor superior a R$ 150, pois, segundo ele, “têm o poder de influenciar a assertividade das escolhas comerciais do presenteado no momento da tomada de decisões“.

Fagali também noticia outro ponto de extrema relevância a ser analisado, segundo o líder da Protiviti: as empresas devem garantir que seus colaboradores mantenham-se fiéis às normas de compliance, todavia, não é interessante mostrar-se descortês perante o recebimento do presente. Para que tais situações não ocorram, o especialista argumenta que as organizações devem esclarecer a todos os seus funcionários quais as normas e políticas para o recebimento de presentes. “A empresa deve fixar um valor máximo para os presentes que podem ser recebidos. Mimos que ultrapassam o valor de R$ 100 já não podem ser considerados itens de valor reduzido”, sugere Hencsey.

Também é bastante interessante que a empresa promova uma reflexão acerca dos reais motivos (ou interesses) da entrega de presentes por parte de parceiros e fornecedores. Para o diretor de Ética & Compliance, o ideal é identificar se as lembranças são uma forma de agradecimento ou se existem interesses comerciais por trás, cita o advogado.

Para finalizar, Antônio Carlos Hencsey ainda esclarece que o exemplo deve vir dos ocupantes de postos mais elevados: “Mesmo os ocupantes de cargos superiores, ao receber presentes, devem cumprir os procedimentos fixados pela empresa e deixar clara a relevância que este ato tem para a organização”, reporta Bruno Fagali.